quinta-feira, 8 de março de 2012

História do Dia da Mulher


Histórico


         O Dia Internacional da Mulher é comemorado desde o início do século 20. Em 1975, durante o Ano Internacional da Mulher, a Organização das Nações Unidas fixou a data em 8 de março. Desde então este é o dia escolhido para lembrar o longo caminho na conquista de direitos, obtidos por meio de lutas a que mulheres do mundo todo se dedicaram.

            Mas qual o motivo de se comemorar esta data em 8 de março? Essa origem possui versões distintas: uma disseminada mundialmente (mas com pouca fundamentação em documentos históricos) e outra mais polêmica (quase esquecida, mas com uma série de “provas”). Por via das dúvidas, apresentaremos um resumo das duas origens.

A versão mais aceita conta que em 8 de março de 1857, em Nova Iorque, um incêndio criminoso matou 129 operárias, empregadas em uma indústria têxtil, que protestavam contra a excessiva carga de trabalho, os baixos salários (três vezes menor que os dos homens) e as péssimas condições de trabalho. Para conter a manifestação, a polícia e os patrões teriam trancado as portas da fábrica e colocado fogo no prédio, queimando todas as manifestantes. Essa é a versão que embasou as lutas de feministas nas décadas de 1960 e 70 e que serviu de inspiração para a criação da data oficial pela ONU, pela Unesco (em 1977) e pelo prefeito de Nova Iorque (em 1978).

            Nos últimos 20 anos, no entanto, diversas pesquisas têm apontado que o incêndio de 1857 nunca ocorreu, ou seja, é fictício. A pesquisadora canadense Renée Cóté deu início às discussões ao lançar, em 1984, o livro “O Dia Internacional da Mulher – os verdadeiros fatos e datas das misteriosas origens do 8 de março, até hoje confusas, maquiadas e esquecidas”. Na obra, a autora explicava que não encontrou em nenhum arquivo dos Estados Unidos, da Europa e do Canadá qualquer referência à greve de 1857. Nem os jornais da época comentaram o fato. A pesquisadora defende (assim como muitos outros estudos viriam a defender depois) que o incêndio criminoso foi um mito criado juntando diversas greves que ocorreram no início do século 20 com o incêndio que ocorreu em 25 de março de 1911, em Nova Iorque, matando 146 pessoas, entre mulheres e homens.

O primeiro registro a respeito do incêndio de 1857 ocorreu em 1966, em uma publicação da Federação das Mulheres Comunistas da Alemanha Oriental. De lá para cá, o “mito” foi consolidado e novos fatos foram acrescentados por diversas entidades.

Ultimamente tem-se defendido a teoria de que um dia dedicado às mulheres começou a ser comemorado nas organizações socialistas ao redor do mundo, a partir de 1909, sempre em datas próximas ao 8 de março. Um deles, ocorrido em 1917, serviu de estopim para a Revolução Russa. No Ocidente, o Dia Internacional da Mulher foi comemorado nas décadas de 1910 e 20, mas com o surgimento do nazismo na Alemanha, o triunfo do stalinismo na URSS, o declínio da social-democracia européia e o início da Segunda Guerra Mundial enterraram as manifestações das mulheres. Somente nos anos 60, o feminismo ganharia novo fôlego e todas as questões de igualdade entre gêneros voltariam à tona.

A discussão a respeito da origem da data já gerou muita polêmica e não será concluída tão cedo. Independentemente disso, é importante valorizar cada vez mais o 8 de março como uma data para refletirmos as relações que estabelecemos em nossa sociedade e para lutarmos por condições iguais entre os sexos. Afinal, a exploração de mulheres ainda está longe de ter um fim.

Jornal Mundo Jovem

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