sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

LITURGIA DIÁRIA



II SEMANA DA QUARESMA
(Roxo – Ofício do Dia)

Antífona de entrada:

Senhor, a vós recorro, que eu não seja confundido para sempre. Vós me 
tirais do laço que me armaram, vós sois meu protetor (Sl 30,2.5).

Oração do dia

Concedei-nos, ó Deus todo-poderoso, que, purificados pelo esforço da penitência, cheguemos de coração sincero às festas da Páscoa que se aproximam. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (Gênesis 37,3-4.12-13.17-28)

Leitura do livro do Gênesis.

37 3 Israel amava José mais do que todos os outros filhos, porque ele era o filho de sua velhice; e mandara-lhe fazer uma túnica de várias cores.

4 Seus irmãos, vendo que seu pai o preferia a eles, conceberam ódio contra ele e não podiam mais tratá-lo com bons modos.
 
12 Os irmãos de José foram apascentar os rebanhos de seu pai em Siquém.

13 Israel disse a José: “Teus irmãos guardam os rebanhos em Siquém. Vem: vou mandar-te a eles.” “Eis-me aqui”, respondeu José.

17 E o homem respondeu: “Partiram daqui e ouvi-os dizer: Vamos a Dotain.” Partiu então José em busca dos seus irmãos e encontrou-os em Dotain.

18 Eles o viram de longe. Antes que José se aproximasse, combinaram entre si como o haveriam de matar;

19 e disseram: “Eis o sonhador que chega.

20 Vamos, matemo-lo e atiremo-lo numa cisterna; diremos depois que uma fera o devorou; e então veremos de que lhe aproveitaram os seus sonhos.”

21 Ouvindo-o, porém, Rubem, quis livrá-lo de suas mãos: “Não lhe tiremos a vida, disse ele.

22 Não derrameis sangue. Jogai-o naquela cisterna, no deserto, mas não levanteis vossa mão contra ele.” Pois Rubem pensava livrá-lo de suas mãos para o reconduzir ao pai.

23 Quando José se aproximou de seus irmãos, eles o despojaram de sua túnica, daquela bela túnica de várias cores que trazia, 24 e jogaram-no numa cisterna velha, que não tinha água.

25 E, sentando-se para comer, eis que, levantando os olhos, viram surgir no horizonte uma caravana de ismaelitas vinda de Galaad. Seus camelos estavam carregados de resina, de bálsamo e de ládano, que transportavam para o Egito.

26 Então Judá disse aos seus irmãos: “Que nos aproveita matar nosso irmão e ocultar o seu sangue?

27 Vinde e vendamo-lo aos ismaelitas. Não levantemos nossas mãos contra ele, pois, afinal, é nosso irmão, nossa carne.” Seus irmãos concordaram.

28 E, quando passaram os negociantes madianitas, tiraram José da cisterna e venderam-no por vinte moedas de prata aos ismaelitas, que o levaram para o Egito.

Palavra do Senhor.

Salmo responsorial 104/105

Lembrai sempre as maravilhas do Senhor!

Mandou vir, então, a fome sobre a terra
e os privou de todo pão que os sustentava;
um homem enviara à sua frente,
José, que foi vendido como escravo.

Apertaram os seus pés entre grilhões
e amarraram seu pescoço com correntes,
até que se cumprisse o que previra,
e a palavra do Senhor lhe deu razão.

Ordenou, então, o rei que o libertassem,
o soberano das nações mandou soltá-lo;
fez dele o senhor de sua casa,
e de todos os seus bens o despenseiro.

Evangelho (Mateus 21,33-43.45-46)

Jesus Cristo, sois bendito, sois o ungido de Deus Pai!

Deus o mundo tanto amou, que lhe deu seu próprio Filho, para que todo o que nele crer encontre vida eterna (Jo 3,16).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
 
Naquele tempo, dirigindo-se Jesus aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo, disse-lhes: 21 33 “Ouvi outra parábola: havia um pai de família que plantou uma vinha. Cercou-a com uma sebe, cavou um lagar e edificou uma torre. E, tendo-a arrendado a lavradores, deixou o país.

34 Vindo o tempo da colheita, enviou seus servos aos lavradores para recolher o produto de sua vinha.

35 Mas os lavradores agarraram os servos, feriram um, mataram outro e apedrejaram o terceiro.

36 Enviou outros servos em maior número que os primeiros, e fizeram-lhes o mesmo.

37 Enfim, enviou seu próprio filho, dizendo: ‘Hão de respeitar meu filho’.

38 Os lavradores, porém, vendo o filho, disseram uns aos outros: ‘Eis o herdeiro! Matemo-lo e teremos a sua herança!’

39 Lançaram-lhe as mãos, conduziram-no para fora da vinha e o assassinaram.

40 Pois bem: quando voltar o senhor da vinha, que fará ele àqueles lavradores?”

41 Responderam-lhe: “Mandará matar sem piedade aqueles miseráveis e arrendará sua vinha a outros lavradores que lhe pagarão o produto em seu tempo”.

42 Jesus acrescentou: “Nunca lestes nas Escrituras: ‘A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular; isto é obra do Senhor, e é admirável aos nossos olhos’?

43 Por isso vos digo: ser-vos-á tirado o Reino de Deus, e será dado a um povo que produzirá os frutos dele”.
45 Ouvindo isto, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus compreenderam que era deles que Jesus falava.

46 E procuravam prendê-lo; mas temeram o povo, que o tinha por um profeta.

Palavra da Salvação.

Sobre as oferendas

Ó Deus, que a vossa misericórdia prepare os corações dos vossos fiéis e os leve, por uma vida santa, à plenitude dos mistérios que celebramos. Por Cristo, nosso Senhor.

Antífona da comunhão:

Deus nos amou e enviou seu Filho, redenção pelos nossos pecados (1Jo 4,10).

Depois da comunhão

Ó Deus, dai-nos caminhar de tal modo, que possamos alcançar a salvação eterna, cujo penhor agora recebemos. Por Cristo, nosso Senhor.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Nigéria: a situação dos cristãos é cada vez mais dramática



O novo relatório da organização Portas Abertas destaca ainda a violência e as perseguições sofridas pelos cristãos no norte do Iraque
24 fevereiro 2016RedacaoNotícias do Mundo



Domenico-de-ga, translated and adapted by xandar. Wikipedia

É dramático o relatório “Esmagados, mas não Derrotados”, da organização Open Doors (Portas Abertas), sobre a violência contra os cristãos no norte da Nigéria e no Oriente Médio. De acordo com estimativas “conservadoras”, diz o documento, recebido pela agência Fides, são de 9.000 a 11.500 os cristãos assassinados; 1,3 milhão de cristãos estão desabrigados internamente ou foram forçados a se transferir para outro lugar desde o ano 2000; 13.000 igrejas foram destruídas ou obrigadas a fechar as portas; milhares de atividades econômicas, propriedades e casas de cristãos foram destruídas.

Por causa da violência, segundo o relatório, “a presença cristã [em algumas áreas do norte da Nigéria] foi praticamente apagada ou consistentemente diminuída, enquanto, em outras áreas, o número de fiéis nas igrejas tem crescido por causa de certo número de muçulmanos que se converteram ao cristianismo e, principalmente, por causa do afluxo dos cristãos em fuga da violência”.

“Além disso, a coesão social entre muçulmanos e cristãos foi posta em perigo. A confiança mútua desapareceu substancialmente; cristãos e muçulmanos se tornaram grupos mais e mais separados e distintos, segregados em bairros, periferias ou áreas rurais específicas”, adverte o texto.

O documento mostra ainda que, embora a etnia, os conflitos políticos e a luta pela exploração de recursos sejam conhecidas fontes de violência no norte da Nigéria, as causas da violência contra os cristãos na região parecem bastante variadas. Há conotações religiosas, econômicas e sociais ao mesmo tempo. Os elementos da violência especificamente voltada contra os cristãos do norte da Nigéria estão ligados por um denominador religioso comum: defender os interesses dos muçulmanos do norte, a sua identidade e a posição do islã.

“Não é só o islã radical, do qual o Boko Haram é o exemplo mais conhecido, mas também os muçulmanos criadores de gado e as elites muçulmanas políticas e religiosas do norte estão entre os principais atores da violência que visa atacar a minoria cristã”, salienta o relatório.

No entanto, ainda há uma grande presença cristã no norte da Nigéria, com seu potencial de unidade e força. Mas a Igreja dessa região terá que tentar não se encerrar em si mesma nem romper com a sociedade. Ela deve fazer o oposto, estimulada pelo impulso cristão, envolvendo-se com a sociedade e trabalhando pela justiça, pela paz e pela reconciliação através da partilha dos seus recursos para o bem de todos. Para tanto, será necessária a ajuda da comunidade internacional a fim de que a Igreja trabalhe pela renovação e pela transformação da comunidade cristã e da sociedade nigeriana do norte em geral.


O que vai mudar na vida consagrada depois do encontro com o Papa Francisco?



Superior Carmelita no Egito reflete para ZENIT sobre a vida consagrada e o encontro com o Papa Francisco no dia 2 de fevereiro de 2016

O Ano da Vida Consagrada encerrou-se com solenidade no dia dois de fevereiro. O  Papa se encontrou, segundo as informações,  com mais de 5000 consagrados, vindos de todos os lados do mundo, para rezar, para meditar, para escutar a palavra do pai e pastor da Igreja, o Papa Francisco. Ele é jesuíta, e como consagrado, durante estes anos do seu pontificado, falou mais do que os outros Papas em muitos anos de pontificado. Conhece bem a vida religiosa, a sua beleza, as suas necessidades para a vida da Igreja, e conhece também muito bem  os “defeitos ,os pecados, os lados fracos e débeis”  da vida consagrada. Está consciente que, sem a vida consagrada, especialmente a feminina, a ação da Igreja nos lugares  de extremas fronteiras, e nos ambientes das periferias existenciais, dos sofrimentos humanos,  seria  deficiente.

O Papa  vê na vida religiosa uma força evangelizadora única. Há muitos religiosos  e religiosas, como tem dito o Papa, que vivem com fidelidade  a própria consagração a Deus e ao serviço dos irmãos. O Papa Francisco,  deixando de lado o texto preparado,  falou espontaneamente e se movimentou com tranquilidade única nos campos “próprios da vida consagrada”, que só um religioso pode fazer. Sabemos que a sua maneira de abordar os assuntos mais espinhentos “são reais e humorísticos”, entre um sorriso e outro, diz  verdades que  tocam profundamente as feridas abertas da vida consagrada. A escassez de vocações   que  não se resolve, como diz o Papa, “com inseminação artificial”, convidando e aceitando  todos os que se apresentam e dizem que querem ser religiosos. É necessário  examinar bem, com amor, com profundidade, com todos os meios espirituais e psicológicos  para verificar se se trata de uma autêntica “vocação” de seguir a Cristo com todas as consequências que este seguimento comporta.  Diz-nos que  ver mosteiros grandes, vazios, ou levados para frente por quatro ou cinco velhinhas,  “quase lhe faz perder a esperança no futuro”.  Mas  retoma a esperança com coragem porque ela se fundamenta não nas coisas materiais, mas sim em Deus, em Cristo Jesus.  O Papa falou com  abertura, com a “coragem profética” de três realidades absolutamente necessárias para redoar à vida  consagrada o brilho, a beleza, a alegria: a profecia, a proximidade, a esperança.

A profecia: o Papa falou da “profecia  da “obediência”, uma obediência  que é oferenda total de nossa vida, de fazer o que devemos fazer. Ele nos ensinou que podemos  rezar: “ó Pai, afasta de mim este cálice”, mas depois dizer, “seja feita a tua vontade e não a minha”. Podemos espernear, conversar, manifestar todas as nossas objeções e ao final  dizer: “vou fazer!” Engolir  e fazer. Uma obediência que custe, é a profecia da obediência. Sobre a proximidade nos recordou que o primeiro próximo é a nossa comunidade, os que vivem conosco. Devemos amá-los e deu o exemplo de Santa Teresinha. É a magistral página na História de uma Alma,  do serviço alegre com o sorriso à Irmã São Pedro.

Recordo-me de um ato de caridade que Deus me inspirou fazer quando ainda era noviça. Era pouca coisa, mas nosso Pai, que vê o que é secreto, que olha mais para a intenção142 do que para o vulto da ação, já me recompensou143 sem esperar a outra vida. Era no tempo em que irmã São Pedro ainda ia ao coro e ao refeitório. Para a oração vespertina, estava acomodada à minha frente: às 15h50, uma irmã devia levá-la ao refeitório, pois as enfermeiras tinham então muitas doentes e não podiam levá-la. Custava-me muito oferecer-me para prestar esse pequeno serviço, pois sabia não ser fácil contentar essa pobre irmã São Pedro, que sofria tanto que não gostava de mudar de condutora. Mas eu não queria perder tão boa ocasião de praticar a caridade, lembrando-me de que Jesus disse: “Tudo o que fizerdes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fareis”. Ofereci-me, portanto, muito humildemente, para levá-la. Não foi sem dificuldade que consegui fazê-la aceitar meu serviço! Enfim, pus mãos à obra e tinha tão boa vontade que consegui perfeitamente.

Toda tarde, quando via irmã São Pedro sacudir sua ampulheta, sabia o que aquilo significava: partamos. É incrível como me era custoso dispor-me a levá-la, sobretudo no início. Assim mesmo, fazia-o imediatamente e começava todo um cerimonial. Era preciso mover e levar o banco de um jeito preestabelecido, sobretudo, não se apressar; depois, empreendia-se o passeio. Tratava-se de seguir a pobre enferma segurando-a pela cintura, o que eu fazia com a maior delicadeza possível; mas se, por infelicidade, ela dava um passo em falso parecia-lhe logo que não a segurava direito e que ela ia cair. “Ah!, meu Deus! andais depressa demais, vou me arrebentar.” Se eu procurava andar mais devagar: “Mas me acompanhai, não sinto mais a vossa mão, ides largar-me, vou cair, ah! bem sabia que sois jovem demais para me levar”. No final, chegávamos sem incidente ao refeitório. Aí surgiam novas dificuldades, pois era preciso fazê-la sentar e agir com jeito [29v] para não machucá-la. Depois, era preciso arregaçar suas mangas (ainda de uma maneira predeterminada). Depois, ficava livre para ir. Com mãos estropiadas, ela ajeitava, como podia, o pão em seu godê. Logo percebi e, toda noite, só a deixava após ter–lhe prestado mais esse servicinho. Como não me tinha pedido para fazê-lo, ficou muito comovida e foi por esse gesto, que eu não tinha planejado, que conquistei seu afeto e sobretudo (soube mais tarde) porque, depois de ter cortado o pão, despedia-me dela com meu mais lindo sorriso.(Manuscrito A, 29f)

A esperança que é saber rezar pelas vocações  com coragem. Falta oração! Quais vocações pedimos a Deus e como as pedimos… O resto cada um pode ler. As palavras do Papa me colocaram em crise. Mas não sei se vou mudar, se tenho capacidade, coragem… O que vai mudar depois do encontro com o Papa? Tudo,  se nós queremos; nada, se nós não queremos.
Rezem para mim, que eu queira mudar e eu, desde o Egito, rezarei para vocês  mudarem. Aí sim, se nós mudarmos, tudo será diferente depois deste Ano da Vida Consagrada. É preciso deixar-se mudar por Jesus. Como carmelita fiquei orgulhoso em ver o Papa citar  a minha “secretária, amiga e mestra” Santa Teresinha. Ela mudou.  Que ela me ajude e nos ajude a mudar!